Unilever pode ser multada em até R$ 7,7 milhões por problema de produção do AdeS

Anvisa diz que relatório de inspeção na fábrica que apontará causas da falha ficará pronto em até 48 horas
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A Unilever pode ser multada em até R$ 7,7 milhões pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça (MJ), pela comercialização de embalagens do suco de maçã AdeS de 1,5 litro impróprias para o consumo. Depois de uma reunião de mais de duas horas com representantes da fabricante, na sede do MJ, a gerente-geral de alimentos da Anvisa, Suzany Moraes, afirmou que a empresa relatou falha humana e em equipamentos no episódio que levou ao envasamento de soda cáustica num lote de 96 caixas de suco de maçã, distribuídas em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Dessas, 36 foram recolhidas.

Suzany disse que terá mais detalhes sobre o problema quando receber o relatório de inspeção realizado pela Vigilância Sanitária de Minas Gerais na fábrica da Unilever de Pouso Alegre (MG), que deve ficar pronto em 48 horas.

— A partir daí, vamos levantar as irregularidades — afirmou a gerente-geral da Anvisa.

Segundo Suzany, por parte da Anvisa, a multa pode chegar a R$ 1,5 milhão, se forem constatadas falhas no processo produtivo ou ausência das chamadas “boas práticas de fabricação”. Já o Ministério da Justiça pode aplicar uma sanção de até R$ 6,2 milhões, se forem confirmadas violações às normas estabelecidas no Código de Defesa do Consumidor (CDC). O diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), Amaury Oliva, disse que, até o momento, a Unilever tomou a medida prevista em lei, de anunciar o recall, após receber reclamações de consumidores que teriam sofrido queimadoras após ingerir o alimento.

— Se não houver troca do produto, assistência aos consumidores e se o risco não for retirado do mercado, ela (a empresa) será responsabilizada — disse o diretor do DPDC, que ressaltou que as pessoas que se sentirem lesadas podem procurar os Procons e a Justiça.

Na segunda-feira, a Anvisa suspendeu a fabricação, distribuição, venda e consumo de lotes de 25 sabores da marca AdeS. A medida atingiu a linha de produção TBA3G, uma das 11 em funcionamento na fábrica de Pouso Alegre da Unilever. Embora a empresa tenha relatado problemas específicos no lote do produto com sabor maçã, a Anvisa decidiu suspender, de forma preventiva, os lotes de todos os sabores preparados na linha de produção em que foi identificada a falha até que tenha “mais informações sobre a verdadeira extensão do problema”.

A Anvisa orienta que as pessoas não consumam o suco e, em caso de queimaduras, procurem imediatamente atendimento médico.

Caso de queimadura foi registrado na polícia

A polícia de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, confirmou nesta terça-feira que na noite do último dia 8, uma semana antes do anúncio do recall da Unilever, uma dona de casa registrou, no 4º Distrito Policial da cidade, um boletim de ocorrência por lesão corporal, relatando que o filho de 17 anos sofreu queimadura e sangramento na boca após tentar beber suco de maçã AdeS. Segundo a advogada Renata Moreira da Costa, que representa a família, o adolescente precisou de atendimento médico após o incidente. Ela afirmou também que a consumidora, ao constatar a gravidade do problema, avisou à Vigilância Sanitária e entrou em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente da Unilever.

— Logo que colocou a bebida na boca, ele sentiu forte queimação na língua e na garganta, e cuspiu. A boca chegou a sangrar e a mãe, preocupada, levou o rapaz ao hospital. Agora, ele está se recuperando, mas não é impossível que fique com alguma sequela, como perda do paladar — informou Renata.

A advogada informou que a família não quer ser identificada “para preservar a imagem” do jovem. Renata afirmou, contudo, que uma amostra da bebida foi entregue à Justiça para ser periciada. A juíza auxiliar da 2ª Vara Cível de Ribeirão Preto, Loredana Henck de Carvalho, concedeu liminar que pedia perícia imediata.

“A documentação encartada nos autos comprova as lesões sofridas e a aquisição do suco AdeS sabor maçã, lote AGB 25 0017 008”, diz a juíza em seu despacho. Segundo a advogada, qualquer medida só poderá ser adotada após a conclusão da perícia, o que deve ocorrer em 30 dias. A Unilever disse que tem conhecimento do caso, mas que não se pronunciará a respeito.

Na capital paulista, André Miranda, pai de um bebê de oito meses, também suspeita de que seu filho tenha sido vítima do AdeS contaminado com soda cáustica. A criança apresenta lesões, próximas à boca e em outras partes do corpo,que foram identificadas como queimadura ou urticária na emergência do hospital e pelo pediatra.

— Ele tomou, pela primeira vez, um suco AdeS neste fim de semana e no domingo as lesões apareceram. Como a única coisa diferente na dieta dele foi o AdeS os médicos acharam que seria a causa mais provável. Mas como o sabor era morango e, num primeiro comunicado, a empresa falava apenas no suco de maçã, não fizemos relação e nem ligamos para o SAC — conta Miranda, lamentando não ter guardado a embalagem para confirmar a suspeita.

Créditos: Jornal O Globo

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