Cuidados com a higiene ajudam a prevenir conjuntivites

Os olhos não só veem como também sentem. O problema é que, quando sentem, geralmente não é um bom sinal: Incômodo com a luz, secreção, coceira, sensação de areia são sintomas de conjuntivite, uma inflamação da membrana transparente e fina que reveste a esclera (a parte branca dos olhos) e o interior das pálpebras, chamada conjuntiva. Quando a conjuntiva sofre uma irritação, os vasos sanguíneos se dilatam, fazendo com que o olho adquira uma coloração vermelha característica.

 

O olho vermelho é o sinal que muita gente imediatamente já caracteriza como conjuntivite, mas para realizar o diagnóstico é necessário investigar. “É preciso estar atento, pois a conjuntivite, às vezes, mascara um problema mais sério (uveíte, esclerite ou outra doença ocular). Por isso, é extremamente importante determinar as características do olho vermelho e suas possíveis causas para estabelecer o diagnóstico”, alerta o oftalmologista Edilberto Olivalves em entrevista ao Portal Drauzio Varella.

 

As conjuntivites são bastante contagiosas e frequentes durante o ano todo. Elas se manifestam por meio do contato com objetos ou mãos contaminadas com agentes irritantes, como vírus, bactérias ou determinadas substâncias. Existem basicamente dois tipos: a infecciosa (viral e bacteriana) e a alérgica:

 

Conjuntivite viral: É transmitida com muita facilidade, sendo o tipo mais comum. Dura cerca de sete dias e melhora espontaneamente. Nesse período, além dos olhos vermelhos, as pálpebras incham e a visão perde a nitidez. O vírus pode infectar apenas um olho ou os dois e diminuir a acuidade visual. Além disso, devido ao processo inflamatório, pode ocorrer a formação de uma pseudomembrana (membrana esbranquiçada) por dentro da pálpebra. Se não for tratada, há risco de formação de queloide (tecido de cicatrização) que pode manter o quadro de conjuntivite por muito tempo.

 

Conjuntivite bacteriana: A incidência é bem menor que a da viral, e geralmente acomete os dois olhos por menos que três semanas. O paciente apresenta sintomas como secreção ocular purulenta de cor esverdeada ou amarelada, além de intensa vermelhidão no olho contaminado. Na maioria dos casos, os sintomas não comprometem a acuidade visual (capacidade da visão).

 

Conjuntivite alérgica: Nesse caso, a conjuntiva inflama quando há uma reação do próprio organismo a agentes como poeira, poluentes ou pólen. Diferentemente das outras, ela pode durar mais de duas semanas e não é transmissível.Aqueles que usam lente de contato sem a higiene adequada estão mais sujeitos a esse tipo de conjuntivite. Durante a doença, nota-se secreção clara, consistente e em pouca quantidade.

 

Conjuntivite tóxica ou química: Alguns agentes comuns, como poluição do ar, fumaça de cigarro, produtos de limpeza, sabão, maquiagens, cosméticos, “sprays” (perfumes, desodorantes para cabelo) e cloro também podem causar irritações na conjuntiva .

 

Conjuntivite gonocócica: Conhecida também como conjuntivite neonatalé uma infecção sexualmente transmissível (IST) consequente à gonorreia. Esse tipo atinge as crianças recém-nascidas, geralmente entre o terceiro e o quinto dia. Caracteriza-se por apresentar uma secreção purulenta copiosa nos dois olhos. As infecções ocorrem durante o parto, quando há o contato com as secreções genitais maternas contaminadas pela bactéria gonococo. Caso não tratada com rapidez, pode ocorrer a perfuração do globo ocular e cegueira infantil.

 

Os surtos de conjuntivite são habituais e sazonais concentrando-se, principalmente, no verão. Fatores como diferentes subtipos de vírus e aglomerações de pessoas justificam a flutuação anual.

 

SURTOS DE CONJUNTIVITE

 

Locais com grandes aglomerações, como praias, piscinas, shoppings, escolas e transportes coletivos oferecem maior risco de transmissão, pois o vírus consegue circular com maior facilidade de uma pessoa para outra. Como é uma doença muito contagiosa, é comum vermos surtos de conjuntivite.

 

Durante o primeiro semestre de 2018, as Secretarias Estaduais de Saúde do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul notificaram o Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), da Fundação Nacional de Saúde, sobre a ocorrência de surtos de conjuntivite aguda. No total, foram 184.840 casos apenas entre o final de fevereiro e abril.

 

A cidade de São Paulo foi um dos locais que registraram grande aumento de casos, acima da normalidade. Até maio, foram 220 surtos e 863 casos. No mesmo período do ano passado, haviam sido 101 surtos e 366 casos. “Os surtos de conjuntivite são habituais e sazonais concentrando-se, principalmente, no verão. Fatores como diferentes subtipos de vírus e aglomerações de pessoas justificam a flutuação anual. Além disso, como a conjuntivite não é sempre notificada, pode haver variação no número de casos registrados, o que dificulta a comparação de ano para ano.”, explica a oftalmologista dra. Veronica Bresciani Giglio, do Hospital Santa Cruz e diretora do Santa Cruz Eye Institute.

 

TRATAMENTO

 

Se você acordar com os olhos vermelhos, verifique se a hiperemia (aumento do volume sanguíneo na região) manifesta-se apenas em um olho ou nos dois. Atente também para a cor da secreção, para informar posteriormente ao médico, caso necessário.

 

O tratamento deve ser adequado ao tipo de conjuntivite para não agravar a saúde ocular. Nunca se automedique. Procure um oftalmologista que lhe indique as medidas corretas. “A grande maioria dos quadros de conjuntivite melhora sozinha e não deixa sequelas. Para amenizar o desconforto, devem-se usar colírio de lágrima artificial e compressas frias de água filtrada ou soro fisiológico. É perigoso se automedicar com colírios sem prescrição médica. Alguns tipos, quando não são bem indicados e o uso não é acompanhado por oftalmologista, podem causar prejuízos em longo prazo”, orienta Brasciani.

COMO EVITAR O CONTÁGIO

  • Pessoas com sintomas de vermelhidão ocular e lacrimejamento devem manter a higiene das mãos para evitar a transmissão;
  • Não compartilhar toalhas e evitar apertos de mão, abraços e beijos enquanto estiverem com o quadro;
  • Evitar colocar as mãos nos olhos. Se for necessário, lavar as mãos antes e evitar contato direto com pessoas com olhos vermelhos que possam estar infectadas;
  • Não usar maquiagem de outras pessoas (nem emprestar as suas);
  • Manter as roupas pessoais e de cama limpos para evitar agentes como ácaros e fungos que podem desencadear as infecções.

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